Uma vida mais simples e compartilhada

Qual o seu estilo de vida? E qual seria o estilo de vida ideal? Você já pensou no impacto que ele gera ou geraria na vida das outras pessoas e no ambiente em que você vive?

Por Roberto Deitos Alquati

Qual o seu estilo de vida? E qual seria o estilo de vida ideal? Você já pensou no impacto que ele gera ou geraria na vida das outras pessoas e no ambiente em que você vive?

Cerca de 3,5 bilhões de pessoas, ou metade dos habitantes do planeta, reside nas áreas urbanas. Em 2050, estima-se que cerca de 70% da população morará nas cidades, representando um aumento de 1,4 milhão de pessoas por semana.

Diante dessas estimativas, se faz necessário aprender a conviver com cada vez mais pessoas em nossas cidades; estabelecer uma conexão mais representativa com nossos pares e com o ambiente em que estamos; perceber que com o estilo de vida que temos hoje, o futuro das próximas gerações está ameaçado.

E por que não vivemos de forma mais simples? A ideia de querer ter mais e melhores coisas o tempo todo faz parte da nossa natureza. Desde os anos 50, com o início do American Way of Life, o consumismo vem crescendo vertiginosamente no mundo. Com a evolução da publicidade e da oferta de produtos ilimitada, itens antes desejados, acabaram tornando-se inconscientemente necessários.

Essa cultura de consumo acaba trazendo um alto preço para a humanidade. O círculo vicioso do querer ter mais e melhor acaba gerando endividamentos, impacto ambiental e social negativo e infelicidade.

Para o arquiteto canadense Graham Hill, criador da iniciativa Life Edited (vida editada), cada coisa nova que agregamos às nossas vidas tem custos escondidos. Ele defende a tese de que complicamos nossas vidas e acabamos trabalhando para manter as coisas que temos, que possuem custos de manutenção e demandam nosso tempo e espaço. E como podemos começar a mudar isso? Acredito que o primeiro passo é refletirmos e entendermos o problema. Realmente precisamos de tantas coisas e de tanto espaço? Isso nos deixa mais felizes? Nos dá mais liberdade?



A geração atual está começando a perceber que uma vida mais simples e prática funciona melhor. Nos deixa mais livres para realizarmos o que realmente importa. Um estudo da Universidade de Cornell, realizado pelo Dr. Thomas Gilovich (professor de psicologia), avalia a questão do dinheiro e felicidade há mais de duas décadas. De acordo com a pesquisa, as coisas que compramos para nos fazer felizes cumprem essa tarefa apenas no início. Gilovich defende que teremos mais felicidade ao gastar dinheiro em experiências como a ida a exposições de arte, fazendo atividades ao ar livre, aprendendo uma nova habilidade ou viajando, do que adquirindo coisas.

E é exatamente isso que os jovens de hoje tem buscado: experiências, ao invés de grandes aquisições. Segundo o site Incrível Club, o número de jovens americanos que gostaria de ter um carro caiu pelo menos 20% nos últimos anos. O sucesso para eles, já não é mais conseguir comprar itens caros e sim vivenciar experiências marcantes.

Congruente a esse comportamento, observamos a ascensão de um novo modelo econômico, em contraponto ao capitalismo de mercado que estamos acostumados: a economia compartilhada. Esse conceito já está experimentando um crescimento exponencial nos últimos anos, como podemos observar em empresas como: Uber (motorista particular/carona remunerada), AirBNB (comunidade de aluguel de acomodações), Bliive (troca de tempo livre), ParkingAki (estacionamento online), Tem Açúcar? (rede colaborativa de ajuda recíproca mútua), além das iniciativas de crowdfunding (financiamento comunitário), coworking (escritórios coletivos) e bike sharing (bicicletas públicas em metrópoles).

O influente economista americano Jeremy Rifkin explica o contraponto com o modelo capitalista atual. Para ele, o modelo vigente prega o individualismo, ao passo que a economia colaborativa visa o coletivo. Ele defende que o modelo atual será substituído pela economia colaborativa, ou compartilhada, principalmente com o desenvolvimento de novas tecnologias e da Internet das Coisas. Para ele, o dinamismo e a eficiência produtiva desse sistema, juntamente com a evolução das máquinas, serão responsáveis pelo colapso do nosso sistema atual.

Assim, a economia compartilhada parece ser a prática ideal para buscarmos a conexão mais representativa com nossos pares e com o ambiente que falamos anteriormente. Acredito que uma vida mais simples e compartilhada deve ser o caminho para estabelecermos finalmente esse vínculo.

Convido então o leitor a reinventar seu jeito de viver. Ter mais tempo para o que realmente importa. Ter mais responsabilidade com o ambiente e pessoas ao nosso redor. Ter menos espaço para viver sozinho e guardar coisas, e mais espaços para conviver com outras pessoas compartilhando experiências únicas e memoráveis. Como já disse Eddie Vedder:

"Faça a evolução!

 

Reinvente-se

"Casas maiores consomem mais energia, mais impostos, mais manutenção. Um carro grande e luxuoso gasta mais combustível e tem mecânica mais cara. E à medida que compramos as coisas, precisamos de mais espaço para guardá-las. De repente, nossas vidas se tornam caras e complicadas. Acabamos trabalhando mais simplesmente para manter o que adquirimos

(Graham Hill)

 

"Enquanto o mercado capitalista baseia-se no interesse próprio e é guiado pelo ganho material, os bens comuns sociais são motivados por interesses colaborativos e guiados por um profundo desejo de se conectar com os outros e de compartilhar

"Mercados estão começando a dar lugar a redes, a posse está se tornando menos importante do que o acesso, a busca do interesse próprio está sendo moderada pela pressão de interesses colaborativos e o tradicional sonho de enriquecimento financeiro está sendo suplantado pelo sonho de uma qualidade de vida sustentável

(Jeremy Rifikin)