Perfil: Alexandre Scheeren

Perfil e Projetos

Por Camila Moschen

Meu nome é Alexandre Scheeren, tenho 21 anos, trabalho na empresa INZ projetos, estou cursando o 8° semestre de do curso de Arquitetura e Urbanismo pela Faculdade da Serra Gaúcha – FSG, entendo a arquitetura como algo de se encher os olhos, um instrumento de extrema expressão, sendo o arquiteto um artista, estando sempre pronto para expurgar um pouco de sua alma em cada projeto. É um desafio constante, é preciso que haja esforço e empenho, deve-se amar dar vida aos sonhos, tornar o abstrato concreto, brincar rotineiramente de Deus.

Acima de tudo arquitetura é Arte, ousadia e inovação devem fazer parte de todo e qualquer tipo de projeto arquitetônico, a estética por sua vez deve ser muito bem explorada e exaltada. É isso que procuro trazer em cada projeto, costumo pensar de maneira geral, atribuir um único elemento que se faça presente em toda a obra, unindo em um só conceito, tenho por base sempre sair da zona de conforto, usar elementos estéticos que dão vida a edificação.

No início de um projeto, faço um uso praticamente abusivo de croquis, costumo procurar referências mais voltadas ao âmbito artístico, obras de arte em geral, esculturas, pinturas, obras que exaltem mais o surrealismo, analiso o conceito, faço minhas análises tentando trazer tal característica para o projeto em si. O que me atraí é o diferente, aquilo que muitas vezes surpreende o indivíduo, em termos de inspirações tenho por base o arquiteto Oscar Niemeyer e a arquiteta Zaha Hadid, justamente pela ousadia e inovação de ambos. 

A música me inspira de uma maneira tremenda, Segundo Arthur Schopenhauer: “A arquitetura é música congelada”, acredito e abraço fervorosamente tal pensamento. Música tem ritmo, tem pontos altos e baixos em cada nota musical, possui uma construção e um planejamento, de modo que se torne harmônica, trazendo sensações e emoções, tocando a alma de quem ouve, é uma arte viva e constante que liberta. Existe um leque de estilos musicais, o que mais me agrada, e aguça minha inspiração na hora de projetar, é a música pop. O pop é um estilo musical que evoluiu do jazz e alguns demais estilos, revolucionou não só a indústria fonográfica como também inovou na moda, revolucionando a arte em variados quesitos, lançando grandes nomes ao longo da história, influenciando no pensamento e comportamento de diversos indivíduos.

O pop para mim é o que mais se aproxima da arquitetura contemporânea, um estilo flexível, sempre em evolução, como a própria visão de arquitetura que tenho, conceitual, atual, lança tendências, inova a própria inovação, agrega batidas, ritmos, a melodia em si possui praticamente uma onda sonora, sempre atingindo um pico de emoção, tirando o fôlego algumas vezes de seu ouvinte. Quando ouço, na maioria das vezes, tento transformar a melodia, a frequência sonora em um traço físico no papel, que leva a mais linhas, gerando formas, concluindo por sua vez a estética e conceito de um projeto arquitetônico. No gênero pop, em termos de inspiração, costumo ouvir Michael Jackson, que praticamente revolucionou a cultura pop de uma geração, a Rainha do Soul Amy Whinehouse, pela excentricidade e autenticidade musical, e também a cantora SIA, que além de ser uma incrível compositora, tem trazido para seus álbuns a linguajem corporal, dança contemporânea, abordando sempre os extremos de cada sentimento, entre outros artistas incríveis de tal estilo.

Abaixo seguem alguns projetos realizados nas cadeiras de projeto arquitetônico, pela Faculdade da Serra Gaúcha e um projeto de concurso, com proposta para as Olimpíadas do Rio 2016.
 

PROJETO DE CONCURSO – PROJETAR.ORG - 2016

INFOPOINT OLIMPÍADAS
Realizado por Alexandre Scheeren, Franciele Palavro, Letícia Graff e Mayara de Matos.




CONCEITO

Nas areias de Copacabana nasce uma nova tendência: impactante, inovadora e ousada. Agregando sensações e desejos a quem à vislumbra, a silhueta emerge do solo como a flora e se liberta como um pássaro, representando a fauna, na sua similaridade mas com o devido valor estético que uma obra a beira da orla carioca merece.  A obra saber ser bela e sutil ao mesmo tempo, sendo generosa com seu entorno sem se sobressair a ele. 

Com acessos dinâmicos, o projeto possui uma disposição interativa dos ambientes que o compõem, relacionando-os entre si. Com dois acessos principais, visa saciar os anseios dos mais diversos visitantes, como também acolher a todos com informação e entretenimento.  

A materialidade permite a realocação da proposta em qualquer área, composta por uma estrutura metálica treliçada, coberta por lonas e revestida nas laterais com placas de ACM amadeirado claro e lona branca, os rasgos compositivos de acesso são formados por placas acrílicas translucidas. 
 

PRÊMIO PROJETO DE ARQUITETURA II – 2015

Faculdade da Serra Gaúcha – FSG
Curso de Arquitetura e Urbanismo
Prof° Orientador: Amanda Schuller Bertoni.
Proposta: EDIFÍCIO COMERCIAL


O projeto tem como conceito a ideia de horizontalidade formal, uma torre composta por quebras volumétricas e altura razoável, onde o indivíduo que a veja não se sinta intimidado por uma volumetria monumental, mas se sinta confortável com um volume harmônico, como se o projeto dialogasse com as pessoas e o entorno, tanto base como torre tem a ascensão à natureza em meio à estrutura onde o concreto e ferro parecem dominar o contexto urbano surge tratamentos paisagísticos, fazendo com que a natureza sutilmente escale por seus andares.

O edifício é comercial, a planta baixa tem uma alusão ao "cata-vento". Quando se pronuncia a palavra "cata-vento", vem à ideia de movimento constante, rotação, logo um edifício comercial, que agrega tais palavras. No comércio existe a rotina e a movimentação, ambas são necessárias para gerar lucro e girar o capital, tornando-se uma referencia ao "cata-vento", uma renovação constante.

Uma referencia usada na estrutura das molduras entrelaçadas do projeto forma as telas perfuradas de Hunter Douglas, e a ideia do entrelace em alumínio foi inspirada no artista Theo Van Doesburg, associado ao Dadaísmo, Concretismo e ao Neoplasticismo Holandês, sendo um dos professores da escola de Bauhaus. A obra que serviu de inspiração foi o quadro "Contra Composição", datado de 1925, no estilo Neoplasticista tendo gênero abstrato.

A intenção é que o individuo que irá concretizar sua rotina diária no local, não precise sair do prédio em determinadas horas do dia, como se fosse um mundo dentro de outro, uma volumetria que foge do contexto urbano dando lugar ao verde, onde terraços jardins sirvam para pontos de tranquilidade e o próprio tratamento paisagístico transmita por si só a sensação de comodidade e bem estar, mudando o conceito do local de trabalho e comércio.

O projeto também traz uma estratégia de iluminação. Todas as esquadrias possuem uma moldura entrelaçada em alumínio branco, esse entrelace faz referencia a obra do artista Theo Van Doesburg, que assim como Mondrian fazia destaque às cores primarias como sendo o principio de todo e qualquer tipo de tonalidade. Tais molduras em alumínio possuem canaletas nas laterais onde serão preenchidas com luzes de led, fazendo com que a noite essas molduras fiquem iluminadas e determinadas esquadrias se transformem em grandes painéis de arte abstrata. 

A volumetria do projeto possui subtrações formais significativas, trata-se de um prisma retangular com variadas subtrações, possibilitando as angulações já citadas, a ideia de determinado volume é transmitir ao observador a sensação de "confronto visual", as molduras entrelaçadas reforçam a ideia, um confronto que não agrida, entretanto conforte o individuo, a intenção volumétrica é que o projeto convide as pessoas que transitam diariamente pela praça, á entrar no local ou até mesmo se sintam "intimadas" a trabalhar em determinado ambiente. A vegetação que escala pela estrutura, as esquadrias rebatidas, o próprio volume que se rebate se tornam inteiramente harmônicos.


 

PRÊMIO PROJETO DE ARQUITETURA III – 2015

Faculdade da Serra Gaúcha – FSG
Curso de Arquitetura e Urbanismo
Prof° Orientadores: Paulo R. Abbud, Roberta Bertolleti e Max Manoel.
Proposta: EDIFÍCIO RESIDENCIAL


O projeto possui uma pureza formal, tratando-se de dois cubos de diferentes dimensões, uma em junção com a outra, exercendo uma setorização tanto em planta quanto em termos volumétricos. A edificação possui dois tipos de apartamentos em cada pavimento, sendo o volume com texturização branca voltada para os apartamentos familiares, e o volume com texturização em concreto aparente para os apartamentos stúdio, com uma proposta voltada mais para estudantes.

A proposta do projeto era uma habitação familiar de baixo custo, possuindo alvenaria estrutural, era necessário, em termos compositivos, uma suavidade no próprio volume, fazendo com que a fachada fosse uma continuação do volume, agregando um ritmo de esquadrias e união das mesmas. Para isso foi feito um recuo de reboco nas esquadrias, levando uma tonalidade de cinza escuro, para trazer a sensação e janela em fita, fazendo com que haja certa elegância formal e horizontalidade nas esquadrias.


 

PROJETO DE ARQUITETURA IV – 2016

Faculdade da Serra Gaúcha – FSG
Curso de Arquitetura e Urbanismo
Prof° Orientadores: Giovanna Santini e Taísa Festugatto
Proposta: Escola


A construção pessoal e o desenvolvimento do intelecto, dão seus primeiros passos na escola, um lugar onde o aprendizado e a formação profissional estão em constante crescimento.
Seguindo esse embasamento, nasce o projeto “Intellect Training”, visando estabelecer o conforto e a comodidade como principais fatores para construir o conhecimento de seus estudantes.

Possuindo uma volumetria diferenciada, tratando-se de um “cubo” em formação, fazendo com que a ideia de construção se faça presente em sua estrutura.
Acima de tudo, a edificação visa estabelecer uma única compreensão volumétrica, abastecendo-se de parâmetros conceituais, compondo-se de não apenas só um projeto, como também algo diferenciado e inovador, agregando uma identidade volumétrica, “crescimento constante”.

O terreno onde se situa o projeto, abstém-se de um desnível considerável de aproximadamente 8m, sendo necessário que haja manipulação em sua composição.
O projeto contempla suas subtrações volumétricas com o uso de terraços, que agregam ao pátio externo, com a adição de cada pavimento, perde-se um setor volumétrico, criando um “jogo” de volumes escalonados, fazendo com que a fachada de acesso se “distancie” gradativamente da calçada, dando a sensação de suavidade.
A cobertura também é aproveitada, obtém-se de um grande terraço, exercendo a função de mirante, onde a vista privilegiada da cidade é exaltada. Toda a circulação principal da edificação, possui uma iluminação natural, devido ao seu fechamento em acrílico dado na cobertura.

Para a insolação, as fachadas do projeto são ornamentadas por placas metálicas, estilo Hunter Douglas, sendo estruturadas por hastes de alumínio, que agregam esteticamente ao conceito de “formação Intelectual”.
Por fim, trazendo um aspecto lúdico a edificação, tais placas possuem um jogo de cores, que variam entre amarelo (gema caipira) e branco, (gelo).


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