Mobilidade Urbana

Segundo AMPR Talks abordou o impacto das novas tecnologias para que as cidades sejam repensadas

Por Camila Moschen

O Segundo encontro do projeto AMPRTalks lotou o auditório do Teatro do Moinho da Estação na terça-feira, 16 de agosto. O palestrante Daniel Bittencourt explanou sobre a questão da Mobilidade Urbana e trocou ideias com o público sobre como começar as mudanças que farão de nossas cidades lugares melhores.

Ao invés de modelos prontos e cases de soluções para a mobilidade, Bittencourt fez link entre o impacto da tecnologia na criação de novos hábitos e a lentidão da mudança nas cidades. Para ele, uma melhor mobilidade urbana depende principalmente de um novo processo mental.

Bittencourt defendeu a sua crença de que as ideias que realmente farão a mudança no urbanismo das cidades não virão da geração atual, mas dos nativos digitais. Ele acredita que essa geração saberá se apropriar das informações das plataformas digitais para encontrar novas alternativas.

Embora não possamos encontrar soluções definitivas para o problema da mobilidade urbana a curto prazo, podemos amenizar o problema. O palestrante fez uma autocrítica por possuir dois carros. Este, aliás, para ele é o principal problema. O Brasil investiu fortemente na indústria automobilística como forma de desenvolvimento e geração de emprego, mas não fez o mesmo investimento em sua malha rodoviária e em sua rede de transportes coletivos.



Outro ponto, destacado por ele, foi a necessidade de coexistência entre todos os meios de transporte. Não existe mobilidade sem carros ou sem bicicletas. É preciso um equilíbrio. Ele defende a visão de que a cidade é um sistema vivo que aprende com as práticas e que é preciso uma migração contínua para formas de mobilidade menos poluentes e mais eficientes. Acompanhe um pouco mais sobre a linha de pensamento do comunicador e professor universitário Daniel Bittencourt na entrevista abaixo:

Um conselho prático que possa ser implantado a partir de hoje no cotidiano das pessoas gerando melhor aproveitamento de recursos, sejam financeiros ou naturais.

Daniel Bittencourt  - Um dos grandes males que vivemos hoje é a nossa incapacidade de enxergar que todas as coisas estão interligadas, interconectadas. Nossos problemas são complexos, e existem um olhar sistêmico para que possam ser resolvidos. O trânsito está um caos: onde está a minha parcela de responsabilidade nisso? Enquanto ficarmos apontando dedos às autoridades, sem perceber as nossas deficiências ou o que podemos fazer para ajudar a resolver as coisas, permaneceremos neste estado de imobilidade.

Qual a melhor maneira para mudar velhos hábitos?

Daniel Bittencourt  - A prática. E um cuidado apurado com a percepção. Ou seja, querer mudar é importante, mas não é suficiente. É preciso rotina, treino, observação sobre como a mudança está afetando nosso cotidiano. É assim no trabalho, no relacionamento e no modo como as cidades podem se tornar espaços melhores para se viver.

Uma frase para reflexão

Daniel Bittencourt  - A revolução não será produzida pela tecnologia - apesar de todo fetiche que existe em torno dela. As pessoas é que são capazes de mudar as coisas. Precisamos que elas tomem consciência disso.

Um livro para se aprofundar no assunto

Daniel Bittencourt  - Briga de Cachorro Grande: Como a Apple e o Google Foram à Guerra e Começaram uma Revolução, de Fred Vogelstein
Essas duas empresas estão mudando a forma como nos relacionamos em sociedade. É um importante relato sobre o modo como o iPhone e o Android travam uma batalha em busca dos dados que produzimos todos os dias nos celulares

Quem seria uma referência ou inspiração neste tema (pessoa ou case)?

Daniel Bittencourt - Elon Munsk, CEO da Tesla. Aparentemente, a Tesla é uma empresa que produz carros esportivos. Mas é uma gigante que vem revolucionando o mercado de energia renovável. Nossas cidades serão diferentes se as ideias inovadoras de Munsk ganharem viabilidade financeira.


AMPR Talks #2  | Mobilidade Urbana