Carreira: Mas afinal, eu tenho uma? Parte 1.

Como está evoluindo a minha Carreira? Eu a controlo? Que caminhos devo seguir?

Por Tiago Novaes

A resposta é sim. Todos nós temos uma carreira! 
Após esta afirmativa, diversas questões que podem vir a sua cabeça: 
Como está evoluindo a minha Carreira? Eu a controlo? Que caminhos devo seguir?

Nesta série de artigos vamos discutir o tema, Carreira Profissional.

Parte 1.

Para responder a estas e outras questões, em um primeiro momento vamos entender o que é de fato uma carreira, tipos e perfis de carreira, e por fim como podemos planejar, a fim de, assumir o controle da nossa carreira profissional? 

Em 1928 o sociólogo Everett Hughes, percebia que as pessoas viam a carreira com um sentido de vida, naquela época já se considerava a relevância do trabalho para a sociedade moderna; entretanto as organizações não se responsabilizavam pela carreira dos funcionários, mantendo o setor de recursos humanos (RH) apenas para funções burocráticas. Foi somente a partir dos anos 1970 que os estudos sobre carreira ganharam espaço no campo acadêmico e posteriormente profissional; principalmente após os estudos de Edgar Schein, Donald Super e George Milkovich.

O termo, carreira, por sua vez, vem do latim via carraria que significa estrada para carruagens, referindo-se a uma corrida, onde o caminho e o destino já são conhecidos. Com a introdução da administração científica no inicio do século XX e o crescente número de indústrias, o bom desempenho era reconhecido através de benefícios e premiações, que passaram a integrar a composição da folha de pagamento sendo este diferencial percebido e revertido em oportunidades dentro da empresa, que por sua vez, impulsionariam o individuo na hierarquia organizacional, que no sentido popular, pode significar progresso, uma profissão ou estabilidade ao longo do tempo. 

Os estudos sobre carreira podem assumir orientações distintas, seja pela perspectiva da organização com enfoque de orientar as pessoas ou grupos de pessoas para a ascensão e também para garantir que este recurso humano, esteja disponível quando a organização precisar; ou ainda, através da perspectiva do individuo, buscando auxiliar a identificar seus objetivos e o que precisam para alcançá-los.    

Diversas definições de carreira emergem da literatura especializada; uma das definições mais relevante foi apresentada por London e Stumpf na década de 1980, que definiram a carreira como “uma sequência de posições e trabalhos realizados durante a vida; que envolve uma série de estágios e transições que refletem as necessidades, motivos, aspirações pessoais além de imposições da organização e da sociedade”. Neste sentido os autores afirmam que a carreira abrange o campo do trabalho, sendo profissional, voluntário ou informal. Na percepção popular a carreira é percebida como sucesso profissional e está ligada para a maioria, a ascensão na hierarquia organizacional. 

Já nos anos 2000, Motta (2006) descaracteriza a carreira profissional como “postos” a galgar e define carreira sob a perspectiva de desenvolvimento pessoal como “independente das organizações, que as carreiras se constroem como uma sequência de percepções individuais, atitudes e comportamentos que deixam transparecer um desenvolvimento e um êxito das experiências de trabalho e de vida de uma pessoa”. 

Todas as teorias que falam sobre carreira, têm a intenção de auxiliar as pessoas a tomarem decisões melhores, decisões estas que trariam maior índice de satisfação em relação à profissão escolhida. Cada um deve focar em suas habilidades, interesses, valores e motivações. Entender os estágios da carreira auxilia na sua analise preliminar, a fim de auxiliar neste processo de entendimento e planejamento de carreira, sendo uma ocorrência natural da vida da pessoa, por este motivo de especial relevancia. Estes estágios são:

a.    Exploração:

As pessoas costumam levar em consideração os estímulos externos, como a opinião de amigos e familiares, o que vêem na televisão ou internet, sendo este estágio crucial para a tomada de decisão de carreira;

b.    Consolidação:

Este período se caracteriza pela busca pelo trabalho, ser aceito pelos colegas e obter a primeira prova de sucesso ou fracasso no “mundo real”. É o inicio da fase de assumir responsabilidades;

c.    Meio de carreira:

É o período em que as pessoas podem continuar as suas melhorias no desempenho, nivelar ou começar a deteriorar;

d.    Fim de carreira:

Para aqueles que cresceram no meio de carreira o fim de carreira pode ser agradável, onde a pessoa pode assumir o posto e conselheiro e também colher os louros conquistados;

e.    Declínio:

É um estágio difícil para todos, mas pode ser ainda mais difícil para aqueles que obtiveram sucesso nas etapas anteriores, acostumados com alto desempenho. Está chegando o momento da aposentadoria. 

Conseguiu identificar em que estágio você se encontra?
E afinal, como anda a sua carreira?

Continua...

Autor: Tiago Novaes
           Especialista em Gestão em Empresarial 
           Bacharel em Administração de Empresas 
           Corretor de Imóveis
           tiago.novaes@ganhoimobiliario.com.br

Referências: 

• BROWN, D. Introduction to theories of career development and choice. In: BROWN, D. (ed.). Career choice and development. 4 ed. San Francisco: Jossey-Bass, 2002. 
• LONDON, M.; STUMPF, S. Managing careers. Massachusetts: Addison-Wesley, 1992.
• MARTINS, H. T. Gestão de carreiras na era do conhecimento: abordagem conceitual e resultados de pesquisa. Rio de Janeiro: Qualitymark, 2001.
• MOTTA, P. R. Reflexões sobre a customização das carreiras gerenciais: a individualidade e competitividade contemporâneas. In: BALASSIANO, M.; COSTA, I. S. A. da (Org.). Gestão de carreiras: dilemas e perspectivas. São Paulo: Atlas, 2006, p. 9-19.